segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ensina a teu filho - Frei Beto


Ensina a teu filho que o Brasil tem jeito e que ele deve crescer feliz por ser brasileiro. Há neste país juízes justos, ainda que esta verdade soe como cacófato. Juízes que, como meu pai, nunca empregaram familiares, embora tivessem filhos advogados, jamais fizeram da função um meio de angariar mordomias e, isentos, deram ganho de causa também a pobres, contrariando patrões gananciosos ou empresas que se viram obrigadas a aprender que, para certos homens, a honra é inegociável.

Ensina a teu filho que neste país há políticos íntegros como Antônio Pinheiro, pai do jornalista Chico Pinheiro, que revelou na mídia seu contracheque de parlamentar e devolveu aos cofres públicos jetons de procedência duvidosa.

Saiba o teu filho que, no monolito preto do Banco Central, em Brasília, onde trabalham cerca de 3 mil pessoas, a maioria é honrada e, porque não é cega, indignada ante maracutaias de autoridades que deveriam primar pela ética no cargo que lhes foi confiado.

Ensina a teu filho que não ter talento esportivo ou rosto e corpo de modelo, e sentir-se feio diante dos padrões vigentes de beleza, não é motivo para ele perder a auto-estima. A felicidade não se compra nem é um troféu que se ganha vencendo a concorrência. Tece-se de valores e virtudes e desenha, em nossa existência, um sentido pelo qual vale a pena viver e morrer.

Ensina a teu filho que o Brasil possui dimensões continentais e as mais fertéis terras do planeta. Não se justifica, pois, tanta terra sem gente e tanta gente sem terra. Assim como a libertação dos escravos tardou, mas chegou, a reforma agrária haverá de se implantar. Tomara que regada com muito pouco sangue.

Saiba o teu filho que os sem-terra que ocupam áreas ociosas e prédios públicos são, hoje, chamados de "bandidos", como outrora a pecha caiu sobre Gandhi sentado nos trilhos das ferrovias inglesas e Luther King ocupando escolas vetadas aos negros.

Ensina a teu filho que pioneiros e profetas, de Jesus a Tiradentes, de Francisco de Assis a Nelson Mandela, são invariavelmente tratados, pela elite de seu tempo, como subversivos, malfeitores, visionários.

Ensina a teu filho que o Brasil é uma nação trabalhadora e criativa. Milhões de brasileiros levantam cedo todos os dias, comem aquém de suas necessidades e consomem a maior parcela de sua vida no trabalho, em troca de um salário que não lhes assegura sequer o acesso à casa própria. No entanto, essa gente é incapaz de furtar um lápis do escritório, um tijolo da obra, uma ferramenta da fábrica. Sente-se honrada por não descer ao ralo que nivela bandidos de colarinho branco com os pés-de-chinelo. É gente feita daquela matéria-prima dos lixeiros de Vitória que entregaram à polícia sacolas recheadas de dinheiro que assaltantes de banco haviam escondido numa caçamba.

Ensina teu filho a evitar a via preferencial dessa sociedade neoliberal que nos tenta incutir que ser consumidor é mais importante que ser cidadão, incensa quem esbanja fortuna e realça mais a estética que a ética.

Saiba o teu filho que o Brasil é a terra de índios que não se curvaram ao jugo português e de Zumbi, de Angelim e frei Caneca, de madre Joana Angélica e Anita Garibaldi, dom Hélder Câmara e Chico Mendes.

Ensina a teu filho que ele não precisa concordar com a desordem estabelecida e que será feliz se se unir àqueles que lutam por transformações sociais que tornem este país livre e justo. Então, ele transmitirá a teu neto o legado de tua sabedoria.

Ensina teu filho a votar com consciência e jamais ter nojo de política, pois quem age assim é governado por quem não tem e, se a maioria tiver a mesma reação, será o fim da democracia. Que o teu voto e o dele sejam em prol da justiça social e dos direitos dos brasileiros imerecidamente tão pobres e excluídos, por razões políticas, dos dons da vida.

Ensina a teu filho que a uma pessoa bastam o pão, o vinho e um grande amor. Cultiva nele os desejos do espírito. Saiba o teu filho escutar o silêncio, reverenciar as expressões de vida e deixar-se amar por Deus que o habita.


FREI BETTO - Artigo - O Estado de S. Paulo

domingo, 13 de março de 2011

Bipolar

Pólo em dois
Destinos, sentimentos
E tudo que vem depois
De sinos e momentos
Tristes contentamentos
E qualquer contradição
Que culpa a mente
Do cidadão que só sente
Mas que não manda no coração

Sul e Norte
Azar e sorte
Frio e quente
Fraco e forte
O coração desmente
O que quer a mente
Difícil fica a solução
A condição, a satisfação,
Insatisfação.

Como explicar
Se a saudade de você
Me faz rir e faz chorar,
Se a vontade de te ver
É a vontade de te esquecer
E a mesma que quer te amar
Mas que não quer te ver sofrer
E já não sabe se é querer
Por que não sabe se é ilusão
Não sabe se vem do coração
Não sabe nem se vem
Não sabe nem se é ser
Não sabe se ainda é coração
Ou se é acomodação
Condição de fácil explicação
Dizer que é bipolar.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Oi, tenta.

“Oi, tenta nascer em trinta,

Inventa como se pinta,

Uma história com oitenta

Invernos e plantações,

Conta como se planta uma semente,

Cultiva em terra quente,

Castigada pelos verões.


Oi, tenta ser jovem em sessenta,

Num país de opressão violenta,

Líder de uma classe que luta,

Numa ditadura de repressões,

Mostra como se cria uma família,

Não desiste, nem se humilha,

Alimenta nove criações.


Oi, tenta ter oitenta,

Contanto não se contenta,

Patriarca de uma família que só aumenta,

Já são mais quinze emoções

E a luta, essa nunca pára,

E numa rotina rara,

Esse oitenta ainda colhe chuvas e feijões.”



"Oi, tenta." é uma homenagem feita aos 80 anos do meu avô, Sr. Manuel Justino.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Obrigado Vilma do PT.

Hoje estou triste, como todos e todas vocês que fizeram a campanha do PT nessas eleições, triste com o resultado, triste com a cidade, triste com o jornalismo, com a política. Mas me sinto orgulhoso de ter militado, caminhado e principalmente, apresentado uma companheira de luta, corajosa, que com fala serena, mas rebelde, me encantou e encantou a vários amigos e amigas que não sabiam que havia candidatos que respeitassem a cidade, a política, a militância, os amigos, o seu partido e principalmente a história dele. Talvez egoísta os meus agradecimentos, mas obrigado Vilma, por ter apresentado a sua candidatura, para que eu pudesse ter em quem votar e pedir voto para vereadora, sem ressentimentos, de cabeça erguida e com a estrela do meu partido no peito.
Grande beijo.
Orgulho de ser PT!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

No debate não tem teleprompter!

Hoje assisti um belo debate no Teatro Sandoval Wanderley, na verdade uma sabatina com os prefeitáveis à cidade de Natal, organizada por jovens da ONG Canto Jovem, em parceria com a TV Câmara. Ao término fiquei com uma pulga atrás da orelha, por que a candidata bonita, de boa oratória, apresentadora (e dona) de TV, faltou mais uma vez ao debate? (esteve ausente também no da OAB e no das mulheres). Para tal, não seria positivo debater com os outros candidatos e candidata, inclusive para rede de TV, visto que se porta melhor com as palavras?

É fato que se questionada sobre sua história política, ou sobre a atuação do seu mandato de deputada na cidade de Natal, iria precisar um pouco mais do que simples poder de oratória. Explicar-se ainda sobre o fato de utilizar a imagem do maior presidente da história do país, Lula, como seu aliado, e ter em sua coligação Zé agripino e cia limitada, estaria ela numa saia justa, na verdade, ai nem teleprompter daria jeito. Ah, o teleprompter. Agora ficou claro pra você? Em debate não tem teleprompter. Charada morta!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Parêa Porto 2008 - A maior excursão universitária do RN.


Porto Seguro conheceu a turma mais bonita e animada deste país, que com o tempero do forró pé de serra da banda Lengo Tengo, contagiou todos os congressitas do CONAC / CONES 2008. E, por sua vez, a galera mais bonita e animada do Brasil, conheceu a cidade mais inesquecível do mundo, Porto Seguro, além da estrutura do maior congresso nacional - e que estrutura. Jammil, Tomate e a irreverência da MicaFantasy piraram o cabeção dos 6 mil estudantes universitários, que com certeza, estão neste momento, como eu, tristes por já estarem em casa. É na lembrança de todos os que dividiram comigo o sonho dessa excursão, que eu ofereço em lágrimas o trecho de uma música que se tornou a cara da viagem, e em particular de um casal, que infelizmente restringiu, mesmo que intensamente, o seu sentimento a apenas um fim de semana, porém, o fim de semana mais especial de nossas vidas.

...Nem que o mundo acabe eu vou partir

Pro seu próprio bem,

Não tente me impedir

Chega de amor unilateral

Só vivi um sonho, nunca foi real

Nem que o mundo acabe eu vou partir...


Dunderarirô!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Permitir e não.

A campanha eleitoral atual tem me posicionado em algumas responsabilidades. A primeira responsabilidade, minha e de todos e todas que residem nesta cidade, é a de não permitir o retrocesso político e administrativo que essa eleição pode encaminhar, não permitir um êxito dos mais conservadores partidos que aparelham o nosso país, não permitir que esses que foram coronéis, que hoje são neo-coronéis, que em regime ditatorial torturou nossos antepassados e nos torturam nas lembranças e imagens, voltem ao poder.
Mas também me cabe a responsabilidade de permitir. Permitir que um partido que esteve sempre ao lado dos movimentos sociais, que protagonizou as principais lutas em defesa dos trabalhadores e que na época da supracitada ditadura, estava combatendo-a - a terra avermelhada do sangue dos nossos jovens não nos deixa mentir -, administre a nossa cidade. Então eu posso e devo permitir que uma mulher, militante deste partido, que enquanto Deputada tanto fez por essa cidade, seja prefeita de Natal. Fátima Bezerra trouxe 11 CEFETS em apenas 6 anos, conquistou o direito a meia-passagem municipal e tem ao seu lado o presidente Lula e um exército de militantes e quadros que só o Partido dos Trabalhadores pode dispor.
Volto a não poder permitir, dessa vez, que a câmara municipal continue como está, envergonhando a nossa cidade, dando as costas para ela e para nós, uma câmara com vereadores que se vendem, e mais que isso, nos vendem, vendem os nossos direitos. Para isso disponibilizamos o nome e a história da companheira Vilma do PT para avaliação, pra conhecer e perceber que uma mulher que foi presidente e fundadora da CUT-RN, militante dos movimentos sociais, protagonista na luta pela economia solidária e ainda, presidente municipal do glorioso Partido dos Trabalhadores, pode nos representar na câmara e respeitar Natal. Ela me convidou a fazer um pacto, um pacto pela cidade, um pacto contra a operação impacto, derrotar nas urnas aqueles que chamaram os estudantes de moleques na câmara municipal, enquanto a portas fechadas, junto a empresários da construção civil, enterraram nossa cidade.
É por isso que os convoco, meus amigos, a se responsabilizar por essas duas permissões, votar Fátima prefeita (13) e Vilma vereadora (13.666).

domingo, 24 de agosto de 2008

Nós, os primitivos.

"Fomos levados ao pelourinho das palavras.
Ao açoite público sob a luz impiedosa da tarde.
Arrastados pelas ruas.
Atados às patas dos cavalos.

O sangue, o sal, a carne em postas,
exposta ao sol para o horror dos olhos:
a aterradora pedagogia do medo
gritando no alto dos postes da imensa Vila Rica.

De onde brota a sinistra raiz desse ódio?
Do édito
- que não concebe a recusa.
Dos punhos de renda
- que rejeitam a mão que a moenda mastigou.
Do senhor
- que não tolera o gesto insubmisso.
Da voz
- que arma a mão do feitor.

Essa que maneja a lava da palavra
e dissolve com seu fogo os passos que cumprimos.
Sonham, senhores e áulicos, nos converter em cinzas
e nos lançar aos ventos definitivos.

Mas dobramos a esquina e nos recompomos
na voz de um peão
que ecoa a força dos séculos
na pedra da praça e nos redime.

Sitiados pelo silêncio
– o silêncio aqui são os rios da palavra morta
ditada à diário ante os nossos olhos –
rompemos o submisso idioma do conformismo.
Invadimos a terra cercada e os espaços do mando.

Recriamos o espaço das ruas
(e das redes virtuais que a ordem não captura...),
Carregamos por elas bandeiras de liberdade.
Desafiamos o pelourinho.
Já não dobramos o dorso,
já não baixamos os olhos.

Com o corpo coberto de cicatrizes,
portando estrelas no peito,
nos olhos a invencível vocação de mar,
nós, os primitivos
voltamos
e somos milhões."


Pedro Tierra

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Piso Salarial do Magistério: O resgate de uma dívida.

Finalmente, a sociedade brasileira começa a assumir o resgate de uma dívida com o Magistério da Educação Básica: foi instituído o Piso Salarial Profissional Nacional.

Digo que começa, porque não é apenas o salário que faz a dignidade do Profissional em Educação, seja ele o professor ou o funcionário administrativo. Pois é igualmente necessário estarem presentes a formação, as condições de trabalho, uma carreira promissora, a efetiva participação na construção do conhecimento e acima de tudo, o reconhecimento da sociedade.

Para se instituir o Piso, foi preciso reivindicá-lo por décadas, por meio de mobilizações, congressos, passeatas, paralisações. Foi preciso ter propostas seguidamente derrotadas no Congresso Nacional, e que se aperfeiçoaram continuamente, tendo a categoria à frente, chamando a atenção da sociedade.

Foi necessário eleger-se um Governo Federal que entendesse e aceitasse a reivindicação, transformando-a numa proposta legítima para tramitar no Congresso. E, para que tramitasse com sucesso, foi imprescindível criar as condições políticas e financeiras: sem ajustes do texto constitucional e sem a prévia aprovação do FUNDEB, um novo modelo de financiamento, com mais de 5 bilhões do Governo Federal para os Municípios e Estados que não conseguem garantir um padrão mínimo de investimento na manutenção e desenvolvimento do ensino, a proposta não se viabilizaria financeiramente, nem teria o selo da legalidade.

Acima de tudo, na reta final, foi necessário o Congresso Nacional discutir e melhorar tanto a proposta do FUNDEB quanto a do Piso, para aprová-las por unanimidade, marca de sua força política.

O resgate dessa dívida histórica se dá não apenas porque o Piso vai melhorar o salário de milhões de profissionais, mas pela conquista de um conceito novo, que articula remuneração com qualidade do trabalho. Trata-se de um Piso de R$ 950,00 para o professor com formação de nível médio em regime de 40 horas semanais de trabalho, com pelo menos um terço dele dedicado a qualificar sua docência, no preparo e avaliação de suas atividades com os estudantes. Isso significa que é preciso fazer modificações ou atualizações nos Planos de Carreira dos Profissionais do Magistério nos Estados e Municípios ou criá-los onde não existe. Até 31 de dezembro de 2009, como está dito na própria Lei do Piso.

Estabelecidos o conceito e o valor do Piso, ele só se concretiza com a definição das carreiras.

Como é quase impossível termos uma carreira nacional dos Profissionais do Magistério da Educação Básica, dadas as especificidades regionais, é necessária a definição de Diretrizes Nacionais. Até podemos dizer que existem Diretrizes Nacionais, pois temos a Resolução Nº 03, de 1997, do CNE. Mas sem dúvida, ela precisa ser atualizada. Como o assunto extrapola a questão da normatividade, entendo que precisamos avançar mais e termos uma Lei que estabeleça essas diretrizes, para dar mais amplitude e peso político à conquista do Piso e de seu conceito.

Portanto, o resgate da dívida com os profissionais do magistério avança com a definição de um sistema de financiamento com regime de cooperação e colaboração dos entes federados, através do FUNDEB, onde, no mínimo 60% dos recursos se destinam obrigatoriamente para a remuneração do Magistério; com definição do Piso Nacional Profissional Nacional; com a definição das Diretrizes Nacionais de Carreira e a conseqüente reorganização dos Planos de Carreira.

Avança, finalmente, com a perspectiva de termos instituído um sistema nacional de formação inicial e continuado, onde não apenas os Estados e Municípios tenham responsabilidades, mas também a União, pelo engajamento de seus órgãos legislativos, normativos e científicos e pelo compromisso das universidades e outras unidades de educação federal, responsabilizadas por dar respostas concretas às demandas dos respectivos territórios.



Francisco das Chagas Fernandes é professor da Rede Pública do RN e Secretário Executivo Adjunto do MEC.

Era uma vez...

Hoje assisti um filme nacional, ironicamente chamado de 'Era uma vez'. Irônico por que se trata da guerra civil nas favelas do Rio de Janeiro, corrupção policial, preconceito, mortes inocentes e a difícil perspectiva de vida da criança que ali nasce. Dessa forma, entitularia o filme de 'são diversas as vezes'.
Exceto pela história romântica, inspirada na obra de shakespeare - Romeu e Julieta -, tudo que se passou no longa, é presente e corriqueiro, uma tristeza gritante, porém anônima, mas que tem inspirado o nosso mercado do cinema nacional, vide 'tropa de elite', 'cidade de deus', 'cidade dos homens', entre outros.

Na minha esperança utópica, um dia alguém poderá contar histórias como essas e dizer "Era uma vez", mas por enquanto, a realidade não permite.





"Deus é um cara gozador, adora brincadeira, pois pra me colocar no mundo, tinha um mundo inteiro, mas achou muito engraçado me botar cabreiro e na barriga da miséria, nasci brasileiro. Eu sou do Rio de Janeiro..."
Cassia Eller

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Qual o objetivo da vida?

São nessas horas que percebo o quão são mais difíceis as perguntas aparentemente fáceis. A obviedade, instalada em minhas manias por convictas afirmações precoces, me levaria a seguinte resposta ao título: Viver.
Me esbarrei com Aurélio e ele me noticiou do que é 'objetivo', eu interpretei como aquilo que finda, conclui. Objetivo é o final da subida de uma escada ou o cheque-mate do xadrez. Assim sendo, até que se apresente o primeiro ser vivo imortal, o objetivo da vida é a morte. Perceba... Nasce, cresce, reproduz e morre. humm... MORRE.


Trágico, não?

domingo, 10 de agosto de 2008

A Juventude de Natal quer Fátima 13


Esse texto se destina ao jovem que quer ir além, se é o seu caso, continue a lê-lo. Você não é daqueles que acha a política uma chatice e por isso não quer saber dela, por que a sua decisão de continuar a ler isso, foi sua maior decisão política neste dia, e em conseqüência, uma grande conquista.
Ir além é querer, é sonhar, é fazer acontecer, ser protagonista de mudanças, de seus próprios anseios.
O voto é o instrumento político mais democrático, é importante fazer dele seu artifício de decisão, qualifica-lo, enriquece-lo, é importante faze-lo ser seu.
Dessa forma é que convidamos você a fazer mais uma decisão política importante, mais uma conquista, conhecer Fátima 13 e entender que ela, pode beneficiar Natal ainda mais. Fátima tem origem humilde, sempre estudou em escola pública, formou-se em Pedagogia na UFRN e recém profissionalizada não se omitiu das lutas em prol da sua categoria. Como Deputada, Fátima conquistou a lei da meia-passagem intermunicipal, que beneficiou jovens estudantes de todo o estado, garantindo o direito de ir e vir, democratizando o acesso a cultura, escola, esporte, entre outros. Em benefício aos jovens do Rio Grande do Norte, Fátima conquistou a vinda de 11 novas unidades de CEFET em apenas 6 anos.
Conquistas como essas só são possíveis por que hoje temos um governo federal que prioriza a participação popular, entende o jovem como um ator político. Por isso criou uma Secretaria Nacional de Políticas Públicas de Juventude, alicerçada por um Conselho Nacional representado por diversos jovens de movimentos sociais de todas as regiões do país. Governo que recentemente mobilizou e ouviu 400 mil jovens na I Conferência Nacional de Juventude, jovens que podem, hoje, se orgulhar de serem protagonistas de mudanças efetivas na vida do povo brasileiro. Esse é o governo do presidente Lula, apoiador incondicional da candidata Fátima Bezerra para prefeita de Natal.


“Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é, ainda vai nos levar além.”
Paulo Leminski

Gerações

Feliz dia dos Pais aos pais, aos filhos, aos irmãos, a todos e todas que cumprem qualquer papel de responsabilidade sobre uma família, Parabéns. Em especial ao Sr. Francisco das Chagas Fernandes, homem que lutou primeiro contra a miséria, depois contra o preconceito, depois contra as injustiças sociais e hoje luta pela qualificação da educação das crianças do povo brasileiro. Homem que me ensina todos os dias o que é a vida, o que é a luta, o que é cuidar e ter cuidado. Pai, não terei seus defeitos, terei defeitos diferentes, cometerei erros diferentes, por que para que meu filho possa cumprir o papel que você um dia cumpriu, eu preciso cumprir o meu, em suas devidas conjunturas.




"É um homem sábio o que conhece a seu próprio filho." (William Shakespeare)

domingo, 22 de junho de 2008

Como financiar o M.E.


Carteira de estudante é direito nosso!
A lei da meia-entrada é uma conquista dos estudantes para os estudantes, assim como sua carteira de identificação estudantil, então a nossa reflexão nasce de uma defesa do que é nosso de direito. A carteira de identificação estudantil é um direito do estudante, então não pode ser justo que este direito seja comprado. O movimento estudantil não pode defender que, mais uma vez, nós paguemos por um direito que já é nosso, é um grande contra-senso a tudo aquilo que sempre defendemos.

Só vamos contribuir com quem merece!
A reflexão não se prende a apenas esse ponto, é importante partir pra questão de representatividade das entidades estudantis. A carteira de estudante é sem dúvida hoje o grande financiador da direita do movimento, sendo comercializada como se fosse banana. O movimento estudantil tem que ser contra a esse tipo de utilização do nosso direito.
Vejam, Teremos entidades que farão carteiras com repasse para o seu ou sua presidente financiarem sua campanha a vereador(a), teremos entidades que trabalharão carteiras com repasse para o movimento estudantil. O erro dos dois casos está na raiz: o estudante é obrigado a fazer essa contribuição. Imaginem a seguinte situação: o estudante não se sente representado pelo DCE de sua universidade, mas é obrigado a contribuir com o mesmo, por que a carteira de estudante custa 10 reais, 70% de repasse para a entidade, e apenas 3 reais são gastos com a confecção da mesma. Ou seja, além do estudante está pagando mais uma vez pelo seu direito, está financiando uma entidade que ele não se sente representado.

Na UFRN já dá certo...
Com isso, não pensem que somos contra o financiamento do movimento estudantil, pelo contrário, queremos um movimento estudantil estruturado, pronto para combater os mais diversos movimentos conservadores dentro das escolas e universidades do Brasil, mas para isso a contribuição tem que ser voluntária.

Isso já acontece na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O estudante paga apenas pelo preço de custo da carteira, referente à gráfica, funcionário, transporte, etc. (esse ano está sendo fornecida por R$3,75), caso sentindo-se representado pela entidade, ele contribui voluntariamente com qualquer quantia e ainda tem acesso a planilha de gastos. É uma prática ousada, e que exige paciência. No início será sempre complicado, principalmente no caso do DCE da UFRN, que passou alguns anos na mão de administradores que deixaram os estudantes descrentes do movimento estudantil. Mas de fato está sendo recuperado esse crédito e a entidade é financiada hoje por contribuições voluntárias, com elas foram pagas as dívidas e já se começa a refazer caixa para a reestruturação do movimento.

Com a contribuição voluntária como forma de financiamento, além de garantir de fato o direito do estudante, as entidades serão pressionadas a realmente conquistar a representatividade dos seus associados.

Contribuição voluntária: uma arma contra os vendedores de carteirinhas.
Imaginem se os DCEs e a própria UNE começam a fazer carteira de estudantes a preço de custo, as entidades que exploram o bolso dos estudantes e que se preocupam apenas com o seu bolso, iriam a falência em pouco tempo. Na UFRN, o DCE prevê para o próximo ano que apenas 15% dos estudantes da universidade façam carteiras em outra entidade, fato que já dá um bom prejuízo para URNE (“entidade” que vende carteira de estudante dentro do shopping por 10 reais, e que hoje faz em média de 50% das carteiras estudantis da UFRN).

Use a criatividade
Podemos passar horas e horas definindo como financiar o movimento estudantil, mas como não financiar está claro, não podemos vender o direito de ninguém. Além da contribuição voluntária, pensemos em atividades culturais que possam arrecadar fundos; campanha da caneca (incentivando o uso de copos e canecas próprias, preservando o meio ambiente, retendo gastos institucionais e financiando o movimento – nesse caso podemos propor às instituições uma porcentagem de repasse pra o valor de economia feita pelo movimento); entre outras.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Um quase poema




Quando vi a primeira linha

Traçada do ponto mais saliente do sol

Ao ponto superior do espelho de minha cama,

Eu não hesitei em dizer:

Que belo dia!


Me senti magoante a ele

Quando em seu sorriso percebi

Que o astro rei poderiaa ter pensado

Na relevância de seu sinal

Para o meu elogio ao dia.



Mas se o gigante atentasse mais ao cotidiano do meu ser

Saberia que meus olhos não pregaram

Entre o crepúsculo da tarde e o mesmo da manhã,

E que mesmo sendo dia de branco,

Seria belo, não por ele.


Mas por que pra mim basta a esperança.


De que seus olhos magoados

encontrariam os meus cansados,

E que esses percorreriam do longo dos seus cabelos

Ao final do seu corpo todo,

E voltariam aos seus olhos pra que eu pudesse pedir com eles

Um toque de sua boca a minha.


Assim eu poderia, enfim, de fato, acordar

E elogiar o dia após uma tão sonhada noite de sono,

Por saber que o próximo dia não seria mais de esperanças,

Mas de certezas,

Do meu ser ter estado mais uma vez junto a ti.